INTRODUÇÃO

CAPÍTULO 01 - O verde e a cidade.

CAPÍTULO 02 - O papel dos parques e bosques na história da produção do espaço urbano de Curitiba-PR.

CAPÍTULO 03 - Parques e bosques públicos de Curitiba-PR: distribuição espacial, valorização imobiliária, e criação de identidade cultural.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

 

RESUMO

A partir da Revolução Industrial do século XVIII, as cidades tornaram-se elementos cada vez mais constantes, ampliando sua área ocupada e seus impactos sobre a natureza. Com a urbanização, e a conseqüente diminuição das áreas verdes, houve o aparecimento de inúmeros problemas decorrentes da ausência desses espaços e, conseqüentemente, regiões que contavam com maior cobertura vegetal começaram a ser associadas à maior qualidade de vida. As áreas verdes, conforme seu volume, distribuição, densidade e tamanho, podem interferir no entorno imediato de diversas maneiras. Dentro dos centros urbanos, as áreas verdes têm por finalidade a melhoria da qualidade de vida pela criação de áreas de lazer, paisagismo, preservação ambiental, preservação das áreas de fundo de vale, dos recursos hídricos e da qualidade da água, encontros sociais, atenuação da paisagem urbana, disciplinarização do uso do solo, valorização imobiliária, manutenção e regulação do equilíbrio climático, minimização da poluição, proteção acústica, conforto psicológico, atuação sanitária e preservação da fauna e flora entre outros. Tendo em vista a associação entre qualidade de vida e áreas verdes, a prefeitura da cidade de Curitiba tem adotado, durante os últimos trinta anos, um modelo de gestão municipal que explorar a imagem de cidade-ecológica. Como resultado desse projeto, Curitiba é tida pela mídia nacional e internacional, como a cidade brasileira que melhor equacionou o binômio desenvolvimento urbano/meio ambiente e como tal, detentora do título de cidade modelo, principalmente pela criação de parques e bosques. Embora Curitiba possua uma grande quantidade de parques e bosques, e uma boa relação entre área verde/população, existem aspectos que devem ser levados em consideração na análise da política ambiental da cidade: 1. Quase a totalidade dos parques e bosques públicos estão localizados na porção norte de Curitiba, enquanto que a porção sul, mais populosa e mais carente, quase não conta com áreas verdes. 2. A maior parte dos parques possui lagos em seu interior objetivando a amenização dos impactos das enchentes. Essa característica, fornece à implantação dessas áreas um caráter sanitário. 3. Os terrenos localizados no entorno dos parques e bosques vêm recebendo inúmeros empreendimentos imobiliários de alto padrão, que acabam seletivizando essas áreas e promovendo segregação sócio-espacial pela valorização dos imóveis. 4. O grupo político que tem predominado desde a década de 70 vem utilizando intensamente a política ambiental para a sua promoção e da cidade. Os parques recebem elementos arquitetônicos e temáticos que visam associar Curitiba com as cidades do Primeiro Mundo. A venda dessa imagem de cidade bem resolvida, atrai investimentos nos mais diversos setores e uma unanimidade e complacência de seus cidadãos perante os “produtos” oferta-dos. Desse modo, a criação de áreas verdes em Curitiba possui alguns elementos marcantes, presentes em quase todos os parques e bosques públicos, são eles: a grande interferência dos agentes imobiliários, a valorização do entorno, o caráter estético e de marketing, o uso para promoção do grupo político e da cidade e o aspecto sanitarista.

 

ABSTRACT

Since the Industrial Revolution in the century XVIII, the cities had become more frequent elements each time, extending its area and its impacts on the nature. With the urbanization, and the consequent reduction of the green areas, many problems occurred due to the absence of these spaces and, consequently, regions that counted on bigger vegetal covering started to be associated to the biggest quality of life. The green areas, as its volume, distribution, density and size, can intervene with immediate environment in diverse ways. Inside urban centers, the green areas have the purpose of improving the quality of life, through creation of pleasure areas, landscaping, ambient preservation, preservation of the areas of deep of valley, of the hydric features and the water quality, social meeting, attenuation of the urban landscape, disciplining the ground use, real estate valuation, maintenance and regulation of the climatic balance, minimization of the pollution, protection acoustics, psychological comfort, sanitary performance and preservation of the fauna and flora among others. In view of the association between quality of life and green areas, the city hall of Curitiba has adopted, during last the thirty years, a model of municipal management that explore the picture of an ecological city. As result of this design, Curitiba is known by the national and international media, as the Brazilian city that better equated the binomial surrounding urban/environment development. It is also known as having the city heading model, mainly for the creation of parks and forests. Although Curitiba possesses a great amount of parks and forests, and a good relation between green area/population, aspects exist that must be taken in consideration in the analysis of the ambient politics of the city: 1. Almost all of the parks and public forests is located in the north portion of Curitiba, while that the south portion, more populous and more devoid, almost does not count on green areas. 2. Most of the parks possess lakes in its inward objectifying the amenization of the impacts of floods. This feature, supplies to the implantation of these areas a sanitary character. 3. The lands located in neighborhood of the parks and forests receive innumerable high standard real estate investment, causing a selective increase of value, concentrating richer people in those areas. 4. The politician group that has predominated since the decade of 70 intensely used the ambient politics for its self-promotion and the city´s. The parks receive architectonic thematic elements and that they aim associating Curitiba to First World cities. This picture of well decided city marketing, attracts investments in the most diverse sectors and also creates an unanimity and agreement of its citizens to the offered “products”. This way, the creation of green areas in Curitiba displays some outstanding elements, present in almost all the parks and public forests. They are: the great interference of the real estate agents, the valuation of surrounding areas, the aesthetic character and of marketing, the use for promotion of the group politician and the city, and the sanitarist aspect.

 

"Em 1854, o presidente dos Estados Unidos fez uma oferta aos índios para a compra de uma grande extensão de suas terras, oferecendo, em troca a concessão de uma outra reserva para o povo indígena. A resposta do chefe índio, é um dos mais belos pronunciamentos já feitos em defesa do meio ambiente. Sua antiguidade - data de mais de um século - converte-a em uma peça de sabedoria profética sobre os problemas ecológicos. “Como se pode comprar ou vender o firmamento, ou mesmo o calor da terra? Essa idéia é desconhecida para nós. Se não somos donos do frescor do ar nem do fulgor das águas, como poderão ser comprados? Cada porção desta terra é sagrada para o meu povo. Cada brilhante mata de pinheiros, cada grão de areia nas praias, cada gota de orvalho nos escuros bosques, cada colina e até o som de cada inseto, tudo é sagrado à memória e ao passado de meu povo. Os mortos do homem branco esquecem seu país de origem quando empreendem seus passeios entre as estrelas; nossos mortos, no entanto, nunca podem esquecer esta bondosa terra, pois que é a mãe dos peles vermelhas. Somos parte da terra, assim como ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o veado, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos. Os escarpados penhascos, os úmidos prados, o calor do corpo do cavalo e o homem, todos pertencemos à mesma família. Por tudo isso, quando o grande chefe de Washington nos envia a mensagem de que precisa comprar nossas terras, nos está pedindo demasiado. Também nos diz o Grande Chefe que nos reservará um lugar no qual possamos viver confortavelmente entre nosso povo. Ele se converteria em nosso pai e nós em seus filhos. Por isso consideremos sua oferta para comprar nossas terras. Se lhe vendermos as terras, devem ensinar a seus filhos que são sagradas. Os rios são nossos irmãos e também são seus, portanto, devem tratá-los com a mesma doçura com que se trata um irmão. Sabemos que o homem branco não compreende nosso modo de vida. Ele não sabe distinguir entre um pedaço de terra e outro, já que é um estranho que chega de noite e toma da terra o que necessita. A terra não é sua irmã e sim sua inimiga. Não sei, mas nossa forma de vida é diferente da de vocês. A simples vista de suas cidades é aflitiva aos olhos do índio. Mas isso talvez seja porque o índio é um selvagem e não compreende nada. Não existe um lugar tranqüilo na cidade do homem branco nem um lugar onde ouvir como se abrem as folhas das árvores na primavera ou como adejam os insetos. O barulho somente parece insultar nossos ouvidos. E depois de tudo, para que serve a vida se o homem não pode escutar o grito solitário do noitibá. Nós preferimos o murmúrio do vento na superfície do lago e o seu perfume identificado pela chuva do meio dia, O ar tem um valor inestimável para o pele vermelha, já que todos os seres compartilham o mesmo,alento; a besta, a árvore, o homem, todos respiramos o mesmo ar. O homem branco parece não ter consciência do ar que respira; como um moribundo que agoniza durante muitos dias, à insensível ao fétido odor. Mas se lhe vendermos nossas terras, devem recordar que para nós o ar é inestimável. Sou um selvagem e não compreendo outra forma de vida. Vi milhares de búfalos apodrecendo nos prados, mortos a tiros pelo homem branco de um trem em marcha. Sou um selvagem e não compreendo como uma máquina fumegante pode importar mais do que búfalo, que não matamos somente para sobreviver. Que seria do homem sem os animais? Se todos fossem exterminados, o homem também morreria de uma grande solidão espiritual. Porque o que quer que suceda aos animais, também sucederá ao homem. Tudo está entrelaçado. Tudo quanto ocorre à terra ocorrerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, cospem sobre si mesmos. A terra não pertence ao homem: o homem pertence a terra. Tudo está entrelaçado. Tudo o que ocorrer a terra ocorrerá aos filhos da terra. O homem não teceu a trama da vida. Ele é somente um fio. O que ele faz com a trama ele o faz a si mesmo. Onde está a floresta espessa? Destruída. Onde está a águia? Desapareceu. Termina a vida e começa a sobrevivência“.